O autor deste blogue reserva-se o direito de publicar e responder aos e-mails e comentários que lhe são enviados (critérios: disponibilidade de tempo e interesse para os leitores). Os e-mails e comentários a merecer resposta devem obedecer à seguinte condição: o seu autor deve estar devidamente identificado com endereço e-mail e número de telemóvel.


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

AVISO DE ABERTURA PARA CANDIDATURAS PROGRAMA DE INCUBAÇÃO - INCUBADORA DE BASE RURAL DE GUIMARÃES







Pecuária florestal

As mudanças que são necessárias realizar nas florestas de Portugal para as tornar mais resistentes aos fogos agora que as alterações climáticas são mesmo uma realidade que veio para ficar, passam sem qualquer sombra de dúvida pela redução da massa combustível, quer nas florestas, quer na envolvente. Para esta estratégia ser eficaz é preciso desenvolver a agricultura levando-a envolver as manchas florestais, a fazer com que amplas manchas não tenham massa combustível, que possam ser zonas de reposição e combate aos fogos ou incêndios ou zonas tampão naturais à propagação dos fogos ou incêndios. A redução de combustíveis nas florestas passa pela sua gestão retirando vegetação rasteira, desbastando árvores, execução de desrames, etc. Estas operações podem ser feitas por meios manuais, mecânicos, utilização de animais, etc. A silvo pastorícia é uma atividade que desejavelmente irá desenvolver-se, porque é eficaz na sua ação e por si mesma gera resultado económico direto e imediato ao contrário do que acontece com todas as outras técnicas de gestão florestal, o seu custo só é pago quando há lugar à venda do material lenhoso. A pecuária exige competências específicas de quem a explora porque é preciso saber alimentar os animais, 365 dias por ano, prevenir e combater as suas doenças, tirar o melhor partido da reprodução dos animais para a produção de carne e leite nas épocas de mercado mais propícias, etc. Esta limitação pode ser ultrapassada pela implementação das escolas de pastores, pelo recurso e uso de novas tecnologias, o chamado “pastor eletrónico” pela implementação das organizações de produtores que deem valor acrescentado às produções. Nesta perspetiva creio que os animais das raças autóctones, melhor adaptados aos alimentos que são naturalmente produzidos nas florestas e redondezas, bem como aos climas, serão uma melhor via para obtenção de produtos de qualidade, DOP e IGP, consequentemente com melhor acesso aos mercados e maior potencial de valor acrescentado das suas produções.  Está na altura de se organizar melhor a sua comercialização como forma de incrementar as quantidades produzidas e o valor a distribuir ao longo da fileira. 

sábado, 25 de novembro de 2017

Falta de Cooperação - paradigma a ultrapassar nas agriculturas de Portugal

As agriculturas de Portugal, a agro industria, a industria do calçado e da têxtil, entre outras atividades económicas, são excelentes exemplos de atividades tradicionais que desde há alguns anos estavam condenadas ao desaparecimento caso fossem seguidas os diktats  da opinião pública e publicada, pelo contrário,  verificou-se que tal não aconteceu, pois os respetivos negócios cresceram, desenvolveram-se e tiveram algum incremento  do valor acrescentado, cenário este que é o resultado da continuação e do querer dos empresários destes setores, os quais não baixaram os braços, continuaram a trabalhar de forma árdua e persistente para estarem à altura dos compromissos com colaboradores, fornecedores, clientes, etc.
É óbvio que as condições económicas e políticas da envolvente dos negócios têm influência nos seus resultados, positivos ou negativos, mas sobrepõem-se muitas vezes a estas limitações externas, a qualidade e competência dos empresários, medidas pelos resultados alcançados pelas empresas, sendo estes decorrentes de forma direta das caraterísticas de personalidade do líder empresarial, como sejam a sua competência, organização, rigor, disciplina, liderança, etc.
Este fenómeno também se verifica nas agriculturas de Portugal, há empresários com excelentes resultados e muitos outros com graves problemas, notando-se paralelamente que todos estão a fazer o seu caminho ao mesmo tempo que há integração startups e novos empresários, sejam eles jovens (mais frequentes em número) ou menos jovens.
Este caminho de renovação está a percorrer-se de forma lenta, com altos e baixos, podia ser mais rápido e eficaz para a economia de Portugal, se houvesse uma política de apoio financeiro de forma consistente ao longo do tempo e em tempo útil, quer nos incentivos não reembolsáveis das ajudas públicas ao investimento, quer no crédito bancário, quer noutras veículos ou figuras financeiras. Por outro lado, deveria existir na sociedade de Portugal um movimento de apoio aos investidores, traduzido num esforço coletivo de apoio e valorização social dos empreendedores, todos aqueles que se dedicam e querem dedicar ao setor agrícola e agro industrial.
Apesar de todas as dificuldades e limitações há quem não desista, quem continue a lutar para ter sucesso, quem seja massa crítica neste processo. Acredito que este grupo irá engrossar e conseguir influenciar a opinião pública e a classe política dirigente, no sentido de conhecer, valorizar e dar voz a estes heróis anónimos, na perspetiva de melhorar o negocio das agriculturas de Portugal, as suas exportações, a substituição das importações por produção nacional competitiva. Este movimento tem de se traduzir no futuro próximo numa causa nacional, numa cooperação e entreajuda para melhorar a eficiência e eficácia económicas, onde todos querem ajudar, uma onda cooperação que empurre o sucesso de uns para o sucesso dos colegas de atividade e negócio.
Quem está disposto a percorrer este caminho? Quem quer dar o primeiro passo? Quem quer desatualizar o preconceito “os portugueses não cooperam uns com os outros”? Quem não tem medo de tentar mesmo que exista o risco de poder falhar e poder ser apontado como um exemplo de insucesso? Quem está disposto a tentar cooperar as vezes que sejam necessárias até ter sucesso?
As perguntas ficam no ar, compete a cada um de nós dar a resposta que entende como adequada aos desafios aqui lançados.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

JOVENS AGRICULTORES – PROJETOS DE 1.ª INSTALAÇÃO


Transcrevo o que está publicado no sítio da internet do PDR2020 com data de 2 de junho último (https://www.portugal2020.pt/Portal2020/pdr-2020-conclui-analise-de-candidaturas-ao-concurso-para-jovens-agricultores):

“PDR 2020 conclui análise de candidaturas ao concurso para Jovens Agricultores

02/06/2017
https://www.portugal2020.pt/Portal2020/Media/Default/Images/LOGOTipos/PDR2020_logoBIG.gif





Os beneficiários com candidaturas submetidas ao 2º Período do 6º Concurso da Operação 321 «Investimento na Exploração Agrícola»/Jovens Agricultores do Programa de Desenvolvimento Rural do Continente PDR 2020, foram ontem notificados da decisão final sobre o seu pedido de apoio, tendo sido aprovados 139 projetos.
Estes projetos representam um apoio público de 35 milhões de euros, a que correspondem mais de 77 milhões de euros em investimento, conforme nota do gabinete do Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação.
A nota acrescenta ainda que "estes projetos elevam para 2970 o número de jovens agricultores apoiados por esta medida, que beneficiou de um apoio público de 393 milhões de euros, para um investimento total de 764 milhões de euros".
O Governo concluiu assim o ciclo de recuperação da análise das mais de 20 mil candidaturas do conjunto do Programa de Desenvolvimento Rural. "Destas 20 mil candidaturas, estão aprovadas 7240, a que corresponde um apoio público de 828 milhões e um investimento total de 1625 milhões de euros", acrescenta a nota.
Relativamente aos 656 jovens agricultores cujo projeto mereceu parecer não favorável, apenas por falta de dotação orçamental, poderão optar por desistir da sua candidatura ou encaminhá-la para o processo de transição para o 10º Aviso da Operação 321/4º Aviso da 311, que está a decorrer até ao próximo dia 10 de julho.
Caso optem por transitar, apenas terão que preencher um Formulário disponível no Balcão do Beneficiário para esse efeito, à luz do normativo em vigor para a transição destas candidaturas.
Poderá ainda consultar o mapa de hierarquização final para este período.
Em complemento a este esclarecimento, o PDR 2020 está a preparar um conjunto de perguntas frequentes sobre este processo, que estará disponível e em atualização no Menu FAQ.
Se necessitar de apoio suplementar, deverá enviar um e-mail para o apoio técnico PDR 2020, através do endereço pdr2020.apoio@pdr-2020.pt.

Chega-se à conclusão que no último concurso de atribuição de ajudas à 1.ª instalação de jovens agricultores houve 656 jovens que quiseram instalar-se na agricultura e que não o puderam fazer por falta de orçamento. Na minha opinião este facto é um crime de lesa pátria porque há muito poucos jovens empresários na agricultura (predominam empresários e agricultores com mais de 60 anos), sendo uma mudança estrutural da máxima importância, e se há jovens com apresentaram projetos para se dedicarem à agricultura estes não devem ser impedidos de o fazer por falta de dotação orçamental. 

Defendo que o governo deve pedir a Comissão Europeia as alterações necessárias para que sejam retirados fundos de outras medidas e ações do PDR2020 fazendo do apoio aos jovens a prioridade absoluta dos apoios à agricultura.    

Recomendo que todos os jovens agricultores que apresentaram candidaturas que ainda não estão aprovadas  enviem email à gestora do PDR2020 ( st.pdr2020@pdr-2020.pt) sensibilizando para o tempo o que passou desde a submissão da candidatura, a importância da captação de fundos públicos de apoio ao investimento, quer para o empresário, quer para a região onde se inserem, quer para mudança geracional dos empresários da atividade agrícola em causa (documentem mais possível com números a Vossa situação e enquadramento) e Ministro da Agricultura, Florestas e e Desenvolvimento Rural (devem telefonar para Ministério da Agricultura em Lisboa e pedir email mais direto para o Sr. Minsitro).

Dos emails enviados devem dar nota do seu caso, via email, às redações da Agência Lusa, principais jornais e televisões. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Espaço Visual Dicas


No sítio na internet da Espaço Visual existe uma área denominada “Dicas” onde são desenvolvidas áreas da agricultura e do mundo rural (http://www.espaco-visual.pt/dicas). Recomendo aos leitores a visita e a reflexão sobre os temas expstos. O texto mais antigo é o seguinte:

Empreendedorismo Agrícola

Número de atividades
Uma exploração agrícola deve ter pelo menos duas atividades para minimizar o risco e no máximo três atividades, só no caso de empresas de grande dimensão este número pode ser ultrapassado, porque acima de três é muito difícil ser-se especialista, quase impossível dominar-se simultaneamente todos os pormenores de execução, gestão e mercado. Para quem tem pouca ou nenhuma experiência na agricultura e na sua gestão, deve começar com uma atividade e passados alguns anos, lançar-se na segunda, quando dominar o negócio inicial.

Dimensão de início do projeto e economia de escala
As atividades agrícolas deve começar com a dimensão mínima adequada para quando atingirem o equilíbrio da tesouraria terem capacidade de crescimento, .... (continuar a ler em http://www.espaco-visual.pt/empreendedorismo-agr%C3%ADcola-0)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Jovens agricultores

Os apoios às candidaturas de instalação de jovens agricultores deve ser uma prioridade politica deste e qualquer governo porque é um reforma estrutural profunda nas agriculturas de Portugal.

O número de empresários agrícolas com idades acima dos 50 anos é muito elevado, sendo preocupante nesta fase em que é preciso incorporar inovação, novas tecnologias, metodologias de gestão digitais, mais rigorosas, as quais tenham por objetivo a criação de rigor nos negócios, é preciso fazer da agricultura de precisão a principal forma de fazer agricultura em Portugal, é preciso haver no terreno um elevado número de players com perfil e competências para abraçar e dar resposta a estes desafios. Os jovens agricultores enquadram-se, embora de forma não exclusiva, neste segmento de empresários.

Estes desideratos não são panaceia, não são princípios de retórica, pelo contrário, faço questão de os comunicar e praticar de forma massiva, contribuir para a criação de massa crítica, criar uma nova dinâmica nas mentalidades, no campo, na criação de riqueza porque correspondem aos superiores interesses das agriculturas de Portugal. Se está de acordo com estas ideias e quer contribuir para a mudança, p.f. envie-me um email (jose.martino@espaco-visual.pt) com o seu apoio.

Tenho a certeza que estamos a contribuir para mudar alguma coisa em Portugal e mais que tudo, no futuro próximo, vamos ajudar a melhorar a economia de Portugal!

Obrigado!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Será que me poderia aconselhar sobre uns 2 hectares na zona da Amareleja?

Boa tarde Sr. Engenheiro,
Será que me poderia aconselhar sobre uns 2 hectares na zona da Amareleja,concelho de Moura.
Esses dois hectares neste momento estão ocupados com vinha e oliveira. Será viável em termos de rentabilidade manter essas espécies, dado que o terreno tem boa qualidade, ou plantar outro tipo de espécies de rentabilidade imediata e quais as que me aconselha, pois possuo também um poço.

Os meus melhores cumprimentos

Comentários:
1. Os 2 hectares de terreno ocupados com a cultura da vinha e olival podem ser rentáveis se o rendimento obtido for superior aos custos reais e atribuídos.

2. Teoricamente o indicado em 1. pode rentável, no entanto, será pouco interessante porque o valor total gerado é muito baixo, podendo neste caso, não motivar o empresário porque é desproporcionada a relação entre os euros gerados e o trabalho que lhe obriga, assim como o respetivo risco do investimento.

3. Só visita ao terreno por parte de um técnico especialista pode determinar as culturas de carater intensivo, adaptadas ao solo e clima do local, que lhe poderão dar maior rentabilidade 

Jovem Agricultor do Interior questiona: O que devo fazer para lançar o negócio da forragem hidropónica?

Boa tarde Eng.

Antes de mais quero parabenizá-lo pelo excelente trabalho desenvolvido.


O meu problema é o seguinte, no fim de algumas pesquisas deparei-me com a produção de forragem hidropónica, a qual me parece bastante interessante, o problema é o escoamento da mesma. 

No seu ponto de vista, qual ou quais as melhores formas de escoar o produto visto que, irei produzir na zona de Tondela onde tenho um terreno (lameiro) com 3250m2, um poço abundante e algumas oliveiras.


Cumprimentos,

Comentários:
1. Faça uma pesquisa de mercado visitando previamente ao investimento os potenciais clientes, elabore o respetivo relatório desta ação e analise-o:
a) Elabore um guião de entrevista com os pontos principais a levantar no contato com o potencial cliente;
b) Nas visitas procure perceber se o que lhe estão a dizer e está a registar, está coerente e em linha com a análise corporal do interlocutor e com o seu feeling sobre o mesmo (há o risco de quem nos recebe dizer aquilo que queremos ouvir, que nos compram o produto a determinado preço e depois mais tarde, iremos comprovar que tal não é verdade, ou não compram ou irão impor um preço mais baixo;
c) Elabore um relatório final com o mercado potencial, distribua-o por regiões concêntricas a partir do seu ponto de fabrico, faça-o de dez em dez quilómetros, indicando quantidades e valor em euros  por unidade de produto vendido;       
d) Avalie os custos de transporte e distribuição e a partir desta análise  verifique se a localização geográfica do seu ponto de fabrico lhe garante competitividade ao negócio

2. Faça um plano de negócio com o objetivo de iniciá-lo com a menor dimensão possível que lhe garanta o mínimo de rentabilidade, pois deve fazer um teste de produto no mercado porque há o risco do seu levantamento de mercado lhe indicar um determinado potencial e na prática ele ser muito diferente.

3. Tendo êxito com o indicado em 2. avance com o investimento na produção de forragem hidropónica

4. Esteja atento aos avisos da Incubadora de Base Rural de Guimarães porque esta vai dar resposta a casos como o seu, criar condições para que adquira competências no empreendedorismo, possa à distância elaborar o seu plano de negócios com o apoio de um mentor e tenha apoio de consultor para o ajudar na fase de implementação do negócio (apesar desta Instituição privilegiar os investidores do concelho se houver vagas disponíveis irá apoiar investidores da região e do país)       

domingo, 12 de novembro de 2017

Tópicos da Intervenção que fiz nas Conversas sobre Agricultura no Fórum da Agrogarante, Vila Real, dia 10 Novembro

Título: Tendências da região e do setor (Região = Trás os Montes; Setor = Agricultura e Agro industria)


1. Tendências na região de Trás os Montes
1.1. Vinha e vinho – dar valor acrescentado – cuidar dos pormenores da vinha e do vinho. Controlar custos de produção. Caminhar do preço do vinho no mercado para o o valor da garrafa do vinho à saída da adega e para o quilo da uva à porta da adega. Outro objetivo: mais vinhos para além do Barca Velha, que cheguem aos 100 pontos nas avaliações dos peritos internacionais de referência. Ligação da vinha e do vinho ao turismo. Cooperação entre produtores e agroindústria das várias regiões vitivinícolas para dar escala e baixar custos no acesso aos mercados internacionais. O vinho português é pouco conhecido pelos consumidores comuns nos países consumidores, pelo que é preciso uma estratégia de digitalização elaborada nos mercados de destino para dar a conhecer os vinhos de Portugal a esses potenciais consumidores.

1.2. Azeite: implementar o processo que se fez no vinho há 25 anos: marcas de produtores, marcas de azeites por variedade e olival específico. Trabalho conjunto das principais lagares de Tras os Montes para manterem a regularidade de abastecimento dos mercados de alto valor acrescentado, evitando vender o azeite a players internacionais sobretudo italianos e espanhois que o valorizam sob as respetivas marcas. É preciso desenvolver um processo de cooptição entre players (cooperação entre players que competem nos mesmos produtos e mercados com o objetivo de baixar custos, melhorar condições de contexto, etc.).
Melhorar o regadio; caraterizar os olivais, ajustar a data optima de colheita para se obter azeite da mais alta qualidade.

1.3. Amêndoa: pode vir a ser um grande sucesso e um excelente negócio. Eu estou mais pessimista que optimista. Há plantação de massiva em Espanha há vários anos, há fortes variações dos preços de mercado em ciclos de 5 a 10 anos, vivemos o ciclo do ponto alto da curva, vamos ver como se irá comportar o preço na fase descente da curva. Recomendo aos produtores de amêndoa diversificação para 2 a 3 atividades nas suas explorações. Espero que a agroindústria da amêndoa caminhe na escala de valor encontrando segmentos de mercado específicos de valorização do produto e menos sensíveis às variações do preço ao longo do tempo.

1.4. Castanha: vista como o petróleo de Tr´ss os Montes nas palavras do presidente da RefCast – Associação Portuguesa da Castanha, Prof. José Laranjo. Parece-me que a castanha está para a região de Trás os Montes como o petróleo está para os países árabes ou Angola, extraem a riqueza mas não conseguem reter nesses espaços geográficos o valor acrescentado gerado. Para tal, é preciso desenvolver industria em Portugal que faça a valorização da castanha para além do descasque e congelação.Por outro lado, é  muito importante a extensão temporal da oferta no mercado da castanha fresca até fevereiro a abril, penetrar no consumidor jovem, encontrar formas alternativas de consumo.O castanheiro precisa de melhoramento genético ao nível das variedades e porte da árvore (copa muito grandes para suportar superfície produtiva no limite da copa, é preciso desenvolver o mesmo trabalho que foi realizado na macieira e na pereira). A cultura tem que ajustada às alterações climáticas, quer no diga  respeito ao regime de temperaturas de inverno e de verão, quer humidade atmosférica e teor de água no solo. A rega e controlo de pragas tem que ser utilizadas na maioria dos soutos.

1.5. Batata: tem que fugir da cultura tradicional de par time e caminhar conforme seja possível para algum profissionalismo com integração vertical na fileira de valor acrescentado, tirando partido da origem das suas caraterísticas organolétpicas integrando-a nas cadeias curtas de comercialização, ligando-a à gastronomia local ou regional que tira partido do turismo.

1.6. Maçã está a fazer o seu caminho na comercialização, na busca de valor acrescentado, tirando partido sobretudo do mercado espanhol. Há incremento do profissionalismo e das economias de escala.
1.7. Atividades alternativas com fortes investimentos nos últimos anos:
a.       Pequenos frutos – estão a fazer o seu caminho pois são atividades recentes, sem tradição, experiência incipiente quer na produção, quer no mercado, deficiente conhecimento técnico e tecnológico. Na minha opinião o mirtilo tem mais interesse e futuro face a framboesas e groselhas. A amora ficará dependente do aparecimento de novas variedades com melhor sabor e maior poder de conservação no pós colheita.
b.       Apicultura- teve a entrada de novos players com os apoios do ProDeR e PDR 2020. É uma atividade exigente em conhecimento, experiência e gestão de pormenores. Muitos deles irão falhar, muitos outros irão contribuir para o rejuvenescimento e evolução desta fileira. Estou otimista quanto ao seu futuro apesar da influência das alterações climáticas, pragas e doenças
c.       Cogumelos – na minha perspetiva há aumento da procura de cogumelo industrial e oportunidade para duplicação do negócio seja nos players existentes seja através de uma nova industria de cogumelo branco. A produção de outros cogumelos está a fazer o seu caminho porque é muito importante a oferta de uma gama. Creio que os cogumelos selvagens são um negócio que deveria ser potencializado com a elaboração de planos estratégicos ao nível dos municípios ou CIM, tendo como objetivo fazer o diagnóstico do estado da arte e potencial, dos objetivos a atingir se fossem executadas determinadas ações e se fosse implementado

2. Setor agrícola
a.      Pistacio, avelã e novas atividades.
b.       Digitalização e agricultura/atividades de precisão. Recolha automática de dados com armazenamento e e tratamento informático
c.       Incorporação de tecnologias de gestão, rigor nos pormenores, fazer
d.        operação certa na hora certa.
e.       Formação profissional
f.        Adaptação tecnológica para responder às alterações climáticas: captações superficiais,  deficitária, gestão da rega ao longo do dia, cobertura dos tubos de rega com plástico de faces preta e branca
g.       Agricultura no MPB e biodinâmica
h.       Projetos de autor versus integração via OP´s
i.         Agro industria em Trás os Montes e internacionalização – recursos endógenos.         



Cabras

Boas, eu queria fazer um projeto jovem agricultor, o projeto seria de 200 cabras. 

Pedia uma ajuda como fazer isso.

Obrigado

Comentários:
1. Um projeto de investimento com cabras é exigente em conhecimento e experiência prévia com este tipo de animais porque precisa salvaguardar previamente que gosta e está motivado para trabalhar nesta atividade 365 dias por ano, sábados, domingos, feriados, Natal e Ano Novo, os animais comem todos os dias e gostam de sair do curral e fazer pastoreio. Esta estratégia de adquirir competências serve também para garantir o mínimo de rentabilidade  e sustentabilidade à atividade e negócio.

2. Recomendo que faça um estágio formativo para ganhar experiência como empresário e chefe de exploração, para tal contate Benjamim Machado da Espaço Visual (923 344 183).

3. Para as 200 cabras deve garantir ter pelo menos 1 hectare de terra com forragens e pastagens para cada 10 a 15 cabras conforme a fertilidade dos terrenos.

4. Para poder esclarecer pormenores  sobre o seu projeto marque uma consulta com Benjamim Machado.







   

Pistacho / Pistácio

Boa tarde, 

Gostaria de saber de locais onde adquirir árvores de pistacho/pistácio. é possível obter aqui alguma informação?


Comentários:

1. Este blogue tem informação sobre a cultura do pistach/pistácio. Faça a pesquisa no campo respetivo.

2. A Espaço Visual, empresa de consultoria agronómica da qual sou CEO está a trabalhar para promover a implantação de 3000 ha em 5 anos. A Espaço Visual irá promover sessões de divulgação da cultura, em Trás os Montes, Beiras e Alentejo,  ao longo dos próximos meses. Esteja atento ao website da Espaço Visual e a este blogue onde se fará o anúncio público destes eventos.

3. Sobre a cultura, compra de árvores, organização da produção, mercado, etc. marque uma consulta com Benjamim Machado da Espaço Visual (924 433 183).

4. A cultura do pistacho/pistácio é muito interessante porque tem margem bruta muito elevada (diferença entre o rendimento bruto (multiplicação da produtividade (produção em quilos de  pistacho/pistácio por hectare) pelo valor do quilo de pistacho/pistácio)  e os custos variáveis). A margem bruta é superior a 300% face aos custos, pelo que torna a cultura do pistacho/pistácio em nível de rentabilidade intrínseca muito elevada, quase único nas culturas agrícolas. 


sábado, 11 de novembro de 2017

Mensagem que Motiva o Meu Trabalho em Prol do Desenvolvimento das Agriculturas de Portugal

Recebi este email ontem ao final de tarde após a minha intervenção nessa mesma tarde no Fórum de Garantia Mútua, Conversas sobre Agricultura, organizado pela AGROGARANTE, Entidade a quem agradeço publicamente pela oportunidade que me deram em expor as minhas ideias, experiência, know how, às mais de uma centena de pessoas presentes, sobre o tema "Tendências da Região e do setor" (Região=Trás os Montes e Setor=Agricultura  e Agro industria):

"Boa tarde Engenheiro Martino
Antes de mais obrigado pelo excelente trabalho desenvolvido em volta do setor primário. É de homens como o Sr. Engenheiro que o setor precisa.
Eu gostei muito de ver a sua palestra hoje no encontro promovido pela agrogarante.

Muito objetivo e concreto."

Comentários:
1. Custa-me muito como cidadão aceitar que Portugal não monte uma estratégia para em 10 anos  chegar a país desenvolvido (pelo menos duplicar o PIB per capita), que não exista massa crítica nos cidadãos, que estes não sejam exigentes consigo próprios, com as Instituições que se relacionam e com a sociedade e país.

2. Entendo que devo contribuir de forma direta para essa mudança, sendo as minhas intervenções públicas um meio para esse fim.

3. O texto do leitor a quem agradeço do fundo do coração a mensagem, é uma das muitas formas que me fazem chegar pelos resultados desta minha estratégia.

4. Muito obrigado a todos os leitores deste blogue 

 


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Jovens Agricultores do Interior sem qualquer tipo de apoio

Caríssimo Eng. José Martino,

Tenho seguido algum do seu trabalho, e constatado que é uma das poucas vozes que tentam fazer ouvir-se a favor da defesa da agricultura e dos agricultores em Portugal, coisa que não tenho visto fazer às organizações de agricultores que seria supostamente o trabalho deles.

Deixe-me contar-lhe a minha situação em jeito de desabafo.

Numa altura em que tanto se ouvem promessas de mudança no panorama rural, de reordenamento do território e desenvolvimento do interior, gostaria de lhe dar conhecimento do que se está a passar com os jovens que tentam revitalizar o interior completamente esquecido, e que só é lembrado em caso de catástrofes como as que aconteceram recentemente.

Somos dois jovens, naturais do concelho de Trancoso, distrito da Guarda, uma das zonas mais desfavorecidas e abandonadas de Portugal. Provavelmente por orgulho e teimosia, ganhámos coragem para “desmatar” terrenos que estavam ao abandono, desde que os nossos pais os deixaram de cultivar. Podíamos ter feito como acontece com tantos outros terrenos que há nas mesmas situações nesta zona do interior do país. Deixar ao abandono, cheio de mato, e esperar que ardessem todos os anos.

Não querendo seguir a opção mais fácil, arregaçámos as mangas, estudámos a melhor cultura para a instalar, pedimos ajuda e conselhos a quem sabia mais do que nós, tirámos todos os cursos disponíveis para jovens agricultores, e começámos a trabalhar no nosso projecto, com a esperança de virmos a ter algum apoio por parte do ministério da agricultura através do PDR2020, cuja aprovação seria crucial para que o nosso projecto chegasse a bom porto.

Iniciámos a preparação dos terrenos, e no início deste ano plantámos 23 ha de vinha, porque achamos que é uma cultura promissora para a região. Desde aí, temos dado trabalho a muita gente, tanto a empresas prestadoras de serviços, como a trabalhadores locais da aldeia. 

Inevitavelmente, o nosso entusiasmo inicial está a desvanecer-se, e teremos de abandonar o nosso projecto de revitalização do interior e da aldeia, uma vez que a vinha está a secar e não temos como a regar. Sim tão simples quanto isto.

Parece inacreditável, mas isto está a acontecer, porque não conseguimos obter qualquer ajuda para instalar um sistema de rega na vinha, e comprar um simples tractor para que possamos tratar dela.

Não conseguimos obter o apoio mais básico para que nos possamos instalar como Jovens Agricultores, para comprar um simples tractor ou alfaias agrícolas. 

Submetemos um projecto de Jovem Agricultor em Fevereiro de 2016 (quase dois anos), e embora o projecto tenha obtido parecer favorável e com viabilidade, não nos é dado qualquer apoio, por falta de dotação orçamental. Como é possível continuar a dizer-se à boca cheia que há dinheiro para apoiar a agricultura, e os jovens agricultores, quando temos um exemplo flagrante como este, sem qualquer tipo de apoio? Como é possível que, sabendo que a revitalização das pequenas explorações agrícolas no interior, e imprescindível para salvar o país do flagelo dos incêndios, não haja dotação orçamental para apoiar os poucos jovens agricultores que ainda resistem no interior?

Demos a conhecer este caso ao Ministério da Agricultura por várias vezes, mas que não foi dada qualquer importância ao assunto.

Já agora, gostaria de saber se está a par de situações semelhantes a esta que têm ocorrido, e se tem alguma sugestão/conselho, sobre o que tentar fazer para resolver esta situação.


Melhores cumprimentos,


Comentários:
1. Conheço algumas centenas de casos semelhante ao Vosso desde há muito tempo.

2. Fui o promotor e 1.º subscritor, em junho passado, de uma petição pública  com o titulo "Agricultura Portuguesa - Jovens Agricultores"  (ver http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT85843) com o objetivo de recolher as assinaturas necessárias para que a Assembleia da República fosse obrigada a votar a petição pública para que cada um dos jovens agricultores que tivesse o seu projeto de 1.ª instalação aprovado captasse as respetivas ajudas financeira públicas de apoio ao investimento. Na minha opinião, é inconcebível que precisando Portugal de rejuvenescer o seu empresariado agrícola e rural, não aproveite todos aqueles jovens que estão dispostos a abraçar esse desafio. Este é um dos pontos mais estruturantes a mudar nas agriculturas de Portugal e que para tal deveria ter a máxima prioridade nos apoios, fazendo-se em detrimento de qualquer uma das outras medidas e ações do PDR 2020. O Ministério da Agricultura deve colocar no topo da agenda da reprogramação do PDR 2020, esta medida de apoio à instalação dos jovens agricultores. Infelizmente esta minha petição pública captou poucas assinaturas, certamente não comunicada à opinião pública de forma eficaz, pois a sua bondade é do maior interesse público para Portugal e os portugueses.

3. Defendo que, em situações de escassez de fundos financeiros face à procura desses apoios, deveria haver prioridade no acesso aos dinheiros disponíveis os investimentos localizados nos distritos do Interior de Portugal. Não é aceitável colocar em pé de igualdade no acesso a fundos públicos, iniciativas no Litoral e no Interior, quando é do conhecimento comum que no Litoral há mais iniciativas, projetos, empreendedores, sendo do ponto de vista médio mais baratos os investimentos.

4. Recomendo que escreva ao Sr. Ministro da Agricultura expondo a sua situação, bem como à Diretora Regional de Agricultura e Pescas do Centro, deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura, Presidente da Câmara Municipal, etc. Fale com os jornalistas das estações de rádio locais, nacionais, jornais, televisões, etc. para que visitem a sua exploração e divulguem o seu exemplo, porque há muitos outros milhares de jovens na mesma situação. Não desista, insista até ser atendido