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sábado, 7 de janeiro de 2017

Cogumelos

Trabalho jornalístico publicado na AGROVIDA (suplemento mensal do semanário Vida Económica sobre agricultura) no passado dia 6 janeiro de 2017, da autoria da jornalista Teresa Silveira, o qual contém as minhas opiniões sobre o cluster dos cogumelos

“Portugal tem condições excecionais e os cogumelos
irão ser negócio ao longo do território continental”

“Portugal poderia ter algum
peso internacional na produção
de cogumelos se o custo da
energia e dos combustíveis
fosse mais baixo e competitivo,
em linha com os custos dos
países concorrentes diretos.
E também se a estratégia de
abordagem aos mercados
internacionais fosse apoiada
politicamente para ser mais
aprofundada e competitiva”,
afi rma José Martino, CEO da
Espaço Visual.
Em entrevista à “Vida
Económica”, este engenheiro
agrónomo não tem dúvidas:
“Portugal tem condições
excecionais” para a produção
neste setor. Mas é preciso
“massa crítica empresarial,
bem como ‘players’ da
comercialização com escala
logística”. E também que a
estrutura de gestão do PDR
2020 “analise a enorme
quantidade de candidaturas que
tem em carteira”.
TERESA SILVEIRA
teresasilveira@vidaeconomica.pt

Vida Económica - Portugal
tem condições de se afi rmar
como um produtor de cogumelos?
José Martino - O negócio
dos cogumelos assenta na comercialização
das produções de
duas formas de produção: em
substrato e troncos de madeira e
nos cogumelos silvestres recolhidos
nas fl orestas, ocupando, em
volume de negócios, o terceiro/
quarto lugar dentro das hortícolas.
A produção de cogumelo
branco em substrato é um negócio
verticalizado, da produção à
comercialização, tirando partido
das economias de escala, do
saber produzir, da logística integrada
e, sobretudo, do menor
custo da mão de obra necessária
para a colheita, a qual tem peso
na estrutura de custos do negócio.
negócio.
Assim, Portugal poderia ter
algum peso internacional neste
segmento se o custo da energia
e dos combustíveis fosse mais
baixo e competitivo, em linha
com os custos dos países concorrentes
diretos. E também se
a estratégia de abordagem aos
mercados internacionais fosse
apoiada politicamente para ser
mais aprofundada e competitiva.

VE – Então, precisamos de mais
escala e massa crítica, é isso?
JM - Para os cogumelos provenientes
das produções em
troncos há grandes difi culdades
de competitividade devido à
micro e pequena escala dos produtores,
à sua defi ciente massa
crítica empresarial, bem como
‘players’ da comercialização com
escala logística reduzida, etc.
Neste segmento, há oportunidades
para os ‘projetos de autor’,
da produção à comercialização
com marca própria, sejam individuais
ou coletivos. Neste último
caso tenho expetativa que Amarante
venha a ter sucesso na sua
estratégia. Na minha opinião,
é pouco provável que Portugal
venha a ser um produtor de referência
mundial devido à realidade
que descrevi. No entanto,
existe potencial, temos fl orestas
com alta capacidade produtiva
e baixos custos na produção da
matéria-prima troncos de carvalho
ou eucalipto, temos regiões
com invernos e verões suaves e
começa a haver conhecimento
que poderia ser transferido para
os produtores ganharem massa
crítica competitiva.
No terceiro segmento, recolha
e valorização de cogumelos
silvestres, o potencial é enorme.
Estamos a falar de dezenas ou
até centenas de quilos por hectare
e por ano, para centenas
de milhar a milhões de hectares
em várias regiões de Portugal.
Sobretudo nas regiões de baixa
densidade, a produção de cogumelos
assume um valor muito superior à produção de madeira,
infelizmente recurso desprezado
face ao seu potencial total.
É preciso desenvolver o cluster
do cogumelo silvestre, recurso
endógeno, para o valorizar em
Portugal.

VE - Da experiência que tem,
como olha para a evolução
desta atividade em Portugal? É
rentável e com futuro?
JM - Da minha experiência de
vinte anos na consultoria agrícola
posso concluir que a produção
de cogumelos em Portugal está
a fazer o seu caminho, de forma
errática, por tentativa e erro, não
queimando etapas, não fazendo
as coisas bem-feitas às primeiras
tentativas, porque falta um
instrumento público de política
que alinhe os agentes públicos e
privados em prol dos superiores
interesses públicos do cluster,
um plano estratégico de desenvolvimento
de fi leira que identifi
que os objetivos de cada um
dos seus segmentos e os respetivos
e planos de ação. A rentabilidade
e o futuro da atividade
em Portugal dependem direta
e exclusivamente da competência
dos ‘players’. E posso atestar
que há um segmento restrito
deles que são dos mais competentes,
para as condições envolventes
de organização média a
fraca, pertencentes aos segmentos
dos melhores, mais competentes
a nível global. Portugal
tem condições excecionais, pela
sua fl oresta, pela aposta política
que está a acontecer, pela gestão
equilibrada e regulada da recolha/
apanha, e irá incrementar
e valorizar de forma exponencial
os cogumelos silvestres, produtode alto valor acrescentado, em
linha com as novas tendências
do mercado de consumo, cujo
valor de venda é superior ao da
carne.

VE - Em Portugal, há margem
para a produção de cogumelos
crescer ainda mais nas várias
regiões do país?
JM - Na minha perspetiva,
os cogumelos irão ser negócio
ao longo de todo o território
continental, privilegiando-se os
modos de produção e espécies
mais ajustadas a cada região.
Creio que se a recolha de cogumelos
silvestres estivesse organizada,
melhor organizada, com
normalização e embalagem no
país, provavelmente o valor do
negócio apareceria distribuído
ao longo de todo o território de
Portugal.

VE – E o PDR 2020? Está a
dar a resposta adequada aos
projetos de investimento neste
setor?
JM - O PDR 2020 está a fazer
o seu caminho de analisar e
aprovar a enorme quantidade
de candidaturas que tem em
carteira. É muito importante
que este caminho que está a
ser percorrido pelo Ministério
da Agricultura termine rapidamente.
É previsível que seja
uma realidade até março de
2017, para interromper esta
suspensão de futuro que está
a gerar nos milhares de jovens
agricultores, os quais têm a
sua vida suspensa, a maioria há
mais de um ano, na expetativa
e esperança de obterem os
apoios para se instalarem rapidamente
na agricultura.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

APOIOS PÚBLICOS AOS INVESTIMENTOS NAS EXPLORAÇÕES AGRÍCOLAS (ATÉ 31 MARÇO DE 2017 – 19H)

TIPO DE APOIO
O investimento máximo elegível, por beneficiário, é de 5 milhões €.
O apoio é atribuído sobre a forma de:
  • Subsídio não reembolsável (vulgo “subsídio”)....                                                                                                                                                                                                                                                     continuar a ler em  http://www.espaco-visual.pt/apoios-p%C3%BAblicos-aos-investimentos-nas-explora%C3%A7%C3%B5es-agr%C3%ADcolas-at%C3%A9-31-mar%C3%A7o-de-2017-%E2%80%93-19h

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

FLORESTA

A floresta portuguesa do continente ocupa 3,15 milhões de hectares em 2010 segundo o inventário florestal (35,4% do território continental), com a seguinte distribuição:

Espécie
     Área(ha)
Pinheiro bravo
714400
Eucalipto
811900
Sobreiro
736800
Azinheira
331200
Carvalho
67100
Pinheiro manso
175700
Castanheiro
41400
Folhosas diversas
177800
Resinosas diversas
73200
Outras espécies
24500
Total
3154000




É recomendável que a floresta suba a superfície onde há maior probabilidade de elevada produtividade potencial das plantas lenhosas para abastecer os clusters industriais.
Há que ter em conta que 18,7% das florestas do continente está integrada na rede de áreas protegidas e 23% da área de floresta nacional está incluída na Rede Natura 2000.
Em Portugal predominam 4 tipos de florestas:
1- Montado
2- Floresta plantada com espécies autóctones para a produção de madeira, pinheiro bravo
3 – Silvicultura intensiva, talhadia em rotações curtas, exóticas, exemplo, eucalipto ou espécies nativas como o castanheiro em talhadia
4 – Floresta de regeneração natural que muitas se inicia com o abandono da agricultura, passando a povoamentos mistos de pinheiro bravo, pinheiro manso e folhosas autóctones. Dentro destes espaços integram-se as áreas protegidas.

A distribuição por classes de uso no território continental:

Uso do solo
1995 (ha)
2005 (ha)
2010 (ha)
Variação base ano 2010 %)
Floresta
3305000
3211000
3154000
-4,8
Matos e pastag.
2539000
2720000
2853000
11,0
Agricultura
2407000
2205000
2114000
-13,9


A superfície florestal pode crescer ocupando superfícies de matos, as quais tenham potencial para crescimentos lenhosos elevados, invertendo o ciclo que se tem feito sentir desde 1995 (perda de 10 000 hectares por ano de floresta).

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domingo, 4 de dezembro de 2016

Limão

Os preços elevados do limão em 2016 devem-se há falta da produção de 300 000 toneladas em Espanha e Itália devido ao efeito da doença da Mancha Negra (ou Pinta Negra) face a 1 700 000 toneladas de consumo no mercado europeu. Por outro lado, o aumento dos preços no mercado foi acelerado porque houve o atraso de 1 mês na chegada do limão argentino.

Há plantações e produção em Portugal para abastecer o mercado nacional,... 

Continuar a ler em .... http://www.espaco-visual.pt/dicas 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Maracujá

"Bom dia Srº Eng. José Martino.

Venho mais uma vez pedir informações e os seus conselhos na minha preparação de jovem agricultor. Tenho submetido um projeto no PDR2020 para uma exploração de Maracujás. Com o objetivo de me tornar um jovem agricultor bem sucedido tenho participado em workshops, ações de formação, etc. e o que tenho vindo a reparar é que sempre que tento visitar uma exploração produtora de maracujás os proprietários não querem divulgar/partilhar o seu conhecimento. E por pena minha esta mentalidade fechada e retrograda  ainda existe no sector agrícola nacional. Interrogo assim se tem conhecimento de uma exploração na Zona Centro onde os proprietários estão disponíveis, dentro do seu tempo disponível claro, e tenham vontade em receber visitas e partilhar conhecimento com os jovens agricultores que tentam fazer vida na área.



Cumprimentos"

Comentários:
1 - Será que já fez o número elevado de tentativas para visitas que lhe teriam permitido encontrar alguns produtores de maracujá suficientemente evoluidos para partilhar a experiência?

2 - Já tentou obter contatos de produtores junto da empresa/OP que lhe vai fazer a comercialização?

3 - Nos eventos, ações de formação, etc. já explorou todos os potenciais contatos com outros produtores?

4 - Acredito que a dificuldade que está a sentir deve-se ao número de produtores ser baixo. 
 
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LIMÃO - UM NEGÓCIO COM POTENCIAL


A Frutoeste e a Espaço Visual promovem amanhã uma Sessão Pública sobre “A Organização dos Produtores na Fileira do Limão” com o objetivo de esclarecer os produtores de limão e os potenciais novos produtores acerca do estado da arte e o próximo futuro quer na produção, quer na comercialização e exportação.

Programa
Espaço Visual, Gondomar, 2016.12.03

9h30      Receção e boas vindas
               José Martino – Espaço Visual

9h45     A produção e a comercialização de limões.
               A mais-valia da Organização de Produtores “Frutoeste” 
               Domingos Santos - Frutoeste

10h15    Debate

11h30    Visita a uma plantação de limoeiros
                Vila do Conde

12h00    Fim do Evento

Dificuldades na helicicultura

"Bom dia Engº,
Há cerca de 3 anos iniciei com 2000m2 de estufas para criação de caracóis, o projecto foi financiado parcialmente pelo Proder.
Acontece que actualmente o preço de venda dos caracóis já desceu para 1/3 , ainda esta semana ofereceram 1€/kg, o que é impensável pois nem paga o trabalho da apanha,  dizem os vendedores que há excesso de criação daí os preços estarem assim.
Quando entreguei o projecto para aprovação, entre os vários documentos entreguei também um contrato de escoamento com uma empresa a 3.7€/kg e como uma garantia de produção de 8 ton/ano. Essa empresa que fez o contrato não aceita caracol há mais de um ano, bem como o máximo que consegui produzir foi 3 a 4 ton/ano.
Resumindo, não conseguimos vender a nossa produção total, e o que vendemos é a um preço muito baixo. Eu e o meu sócio temos de andar a pôr dinheiro pessoal para pagar o empréstimo, farinha, luz, etc.
O projecto foi de 5 anos, ainda faltam 2 anos. Há alguma forma de cancelarmos o projecto? deverei processar a empresa que nos passou o contrato de escoamento, visto que até foram esses que montaram as estufas,câmara, alevins, enfim tudo !
Peço aqui uma opinião/ajuda ao Engº José Martino.
Com os melhores cumprimentos,".

Comentários:
1 - Na helicicultura tem sucesso quem desenvolve o negócio na estratégia que eu denomino de "projeto de autor", o empresário é responsável pela produção e ao mesmo tempo pela distribuição, comercialização e valorização das suas produções, juntando outras atividades complementares, como sejam o fornecimento de fatores de produção para novos empreendedores, formação profissional, animação para o consumidor, etc.  

2 - Na minha opinião há lugar para a exploração de caracóis com a estratégia uma parte das explorações francesas implementam, produzir com custos muito baixos de instalação e exploração, produzir na época mais favorável, vender diretamente os caracóis para restaurantes e bares da região e a produção que não se consegue colocar em fresco, fazem na própria exploração, uma industrialização artesanal que vendem nas feiras regionais desde o outono até à primavera.

3 - Defendo que devem comercializar o que produzem, promover e participar em festivais de caracóis, vender à porta da exploração, organizar showcooking com caracóis, fazer contatos para exportarem diretamente, etc. tentando valorizar as Vossas produções de forma a compensar pelo incremento do preço, ganhando margem ao elo da cadeia seguinte (comercialização) o abaixamento da produtividade face ao indicado no projeto.

4 - Os primeiros anos nos negócios são mais difíceis que aquilo que conseguimos imaginar, acontece com quase todos os empreendedores aquilo que se passa convosco: ter de levar dinheiro todos os meses para fazer face aos custos operacionais e compromissos. São estes acontecimentos dramáticos que nos fazem empresários: passar da fase da busca de culpados para a construção de soluções, perceber onde pode estar realmente o negócio, onde se pode vir a ganhar dinheiro, o processo não é instantâneo, exige coragem, determimação, acreditar que se vai ter sucesso, fazer o esforço titânico de melhorar nos pormenores em cada dia que passa, vencer os pequenos erros continuando a tentar no dia seguinte, nunca desistir. Quem não sabe isto que estou a descrever é porque não é realmente um empresário, alguém que teve que fazer o seu próprio negócio com "sangue, suor e lágrimas".

5 - Cancelar o projeto? Processar a empresa que assumiu contratualmente a comercialização? Só posso dar conselhos com o conhecimento dos pormenores, o que obviamente não possuo. 

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Parecer sobre investimentos e a sua rentabilidade a curto e longo prazo.

Boa tarde sr Engº José Martino
Visito regularmente o seu blog e penso que o Sr é a pessoa certa para me esclarecer acerca de um projeto que gostaria de submeter.
Em 2015 submeti um projeto PDR2020 de cogumelos shiitake em troncos mas, por falta de viabilidade, (ou por erro do engº que o submeteu) veio indeferido em setembro 2016.
Agora estou muito confuso, pois gostaria de me lançar com outro projeto mas certamente que shiitake não será opção. Será que o cogumelo branco/paris é viável? Também é aliciante para mim a ideia de produzir mirtilo ou morango. Mas já há tantos produtores... Qualquer produção que eu faça terá de ser em estufa devido ao terreno ser pequeno - 3800m2.
Gostaria que me deixasse o seu parecer sobre estes investimentos e a sua rentabilidade a curto e longo prazo.

Comentários:
1 - Analise quem estando mais perto da sua exploraçao lhe pode valorizar as suas potenciais produções colocando-os no mercado.

2 - Verifique os "ossos de ofício" que cada uma dessas atividades gera e cruze-os com as caraterísticas do seu perfil pessoal de forma a encontrar a melhor atividade que esteja mais à vontade para enfrentar os problemas com maior probabilidade de sucesso.

3 - Instalar-se como jovem agricultor é um processo de elevada responsabilidade porque quem o faz está a assumir um compromisso de muito longo prazo, para mim, é um projeto quase para a vida porque para se recuperar o capital investido são precisos quatro a doze anos, conforme as atividades e o montente totala de investimento, e para ganhar dinheiro são precisos mais anos.

4 - O que falhou no seu processo para depois do esforço que fez para conhecer o negócio, estudá-lo, decidir apresentar o projeto ao PDR 2020, tomar a decisão de alterar a atividade? Acredito que muito tenha mudado nesta fileira para passados quase dois anos para justificar a sua confusão.

5 - Na minha opinião, além do trabalho indicado acima deve o terreno, solo e clima, ser analisado com precaução por um técnico agrícola competente porque me parece ter uma superfície disponivel muito exígua para gerar sustentabilidade económica financeira a médio longo prazo nas atividades agrícolas mais usuais.

6 - Parecer sobre investimentos:
a) Cogumelo branco/paris - sem interesse, exceto se o operador comercial for muito especializado que os consiga valorizar.
b) Mirtilos - área muito pequena (precisa de 1-3 hectares para iniciar a atividade) com grande interesse comercial sobretudo se o operador comercial tiver ponto de entrega a menos de 10 km.
c) Morangos - a superfície muito pequena para garantir rentabilidade a médio longo prazo, exceto se o operador comercial estiver próximo e conseguir valorizar bem o tipo de morangos a produzir.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Gostaria de saber se no meio de tanto caos há algo bom ou positivo?

"Olá boa tarde Sr. eng. José Martino. 

Estive a ler esta questão que foi lançada hoje no blog e fiquei muito preocupado, pois o meu projeto foi submetido em novembro de 2015 e está em análise há já mais de dois meses mas sem qualquer notícia, sei que está em Vila Real mas ainda não me sabem dizer quem o está a analizar. 

Em relação orçamental no caso do PDR2020-321-004 / 1º Período parece-me ser de 150000000, então pergunto se neste caso vai haver problemas de insuficiencia orçamental. 

Porque mesmo a viabilidade do projeto vai ser afetada caso não possa cultivar as terras até Março e por este andar. Tambem passados dois anos altura em que comecei a penssar no projeto ja mudou tanta coisa ja se perdeu tanto tempo, o que em certa forma era inovador começa a deixar de o ser. 

Gostaria de saber se no meio de tanto caos há algo bom ou positivo para manter a esperança e a coragem, porque a fé ja se perdeu com tanto esperar.

Muito obrigado"

Comentários:
1 - Infelizmente há milhares de jovens agricultores que se querem instalar e estão na sua situação, a qual descreve de forma clara no seu comentário.

2 - Pela data de submissão e pelo ritmo de análises certamente terá notícias sobre a análise do seu projeto, o mais tardar até janeiro de 2017.

3 - Este tempo de espera serve para validar orçamentos de execução nos seus valores e prazos de pagamento, ter mais formação e conhecimento sobre as atividades, seja por formação profissional formal, cursos, workshops, etc. seja por eventos informais como por exemplo, estágios, visitas de estudo, reuniões com empresários, etc. Um homem de  negócios da agricultura não perde o tempo nem a oportunidade para criar condições para começar o melhor possivel, dominando os pormenores 
que fazem a diferença para evitar problemas, produzir mais e ganhar mais dinheiro.

4 - Não é fácil ficar com a vida suspensa  durante tanto tempo, por uma decisão do Ministério da Agricultura, na verdade, infelizmente, é lamentável o que se está a passar, não tem havido capacidade para aprender por parte dos politicos e dos gestores do PDR 2020, tendo por base o histórico do lançamento dos muitos quadros de apoio anteriores (lamentalvelmente são recorrentes os mesmos erros no planeamento e lançamento dos QCA anteriores). Assim sendo, tem mais um factor de incremento do handicap do seu projeto, aumento das dificuldades do promotor, um dos muitos mais testes e problemas que terá de passar com sucesso para ganhar dinheiro com a agricultura.

5 - Não desanime, coragem! Tente fazer todos os dias o que está ao seu alcance para melhorar: consulte a evolução do seu processo na base de dados do PDR 2020, telefone ao técnico da DRAPN em Vila Real, escreva ao Sr. Ministro da Agricultura e ao Sr. Presidente da República, contate com jornalistas, entre em contato direto com os deputados da Assembleia da Republica eleitos pelo seu distrito.

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Os negócios da floresta

Potencialmente Portugal tem condições de solo, clima e alguma disponibilidade territorial, que permitem um desenvolvimento florestal competitivo devido a forte crescimento das árvores, fazendo com que a madeira e a cortiça das nossas florestas, sejam responsáveis pela criação, manutenção e utilização de uma importante riqueza, económica, social e ambiental, de elevado valor acrescentado. No entanto, muitos dos produtores florestais... 

continuar a ler em http://www.espaco-visual.pt/os-neg%C3%B3cios-da-floresta

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domingo, 27 de novembro de 2016

Maracujá Roxo

Boa tarde Eng.º Martino,



Após visualização do seu blog resolvi contactá-lo.
A questão é a seguinte:
Qual pensa ser a viabilidade do cultivo de maracujá roxo no algarve, nomeadamente na zona de Tavira e Castro Marim?
Será o clima e principalmente o solo dos mais indicados para este tipo de cultivo?

Comentários:
1 - O maracujá roxo é uma cultura com muito interesse para o Algarve porque nesta região há muito sol (precisa de 11 h) a planta desenvolve-se melhor com temperaturas à volta dos 25 ºC, baixa probabilidade de geadas, bem como poucos dias muito frios no inverno. Não suporta ventos frios e gelados. Há poucos dias com chuva o que facilita a polinização. A cultura deve ser protegido por tunel para produzir num largo período de tempo e com altas produtividades (acima das 15 t/ha).

2 - Os solos devem ser ferteis, ricos em matéria orgânica, bem drenados, com pH entre os 6 a 7,5. Deve prever água para rega da cultura.

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sábado, 26 de novembro de 2016

Até hoje o meu projeto ainda nao foi aprovado: qual o motivo da demora?

Boa tarde, senhor Eng. José Martino, 

Tenho andando a acompanhar o seu blog e a sua pagina do espaço visual e achei ambas muito interessantes.

Submeti uma candidatura de jovem agricultor em outubro 2015, sobre um projeto na area de avicultura, onde pretendo restruturar um aviario velho ja existente e construir outro, e no total ficar com dois aviarios. No mesmo projeto também existirá uma plantação de castanheiros. ~

Ate hoje o meu projeto ainda nao foi aprovado. Queria saber se ainda ha possibilidade de ser aprovado o projeto que emiti em 2015 e tambem queria saber o motivo desta demora. 

Aguardo uma sua resposta. 

Os meus cumprimentos"

Comentários:
1 -  Há um elevado número de candidaturas submetidas ás ajudas previstas no PDR 2020, muito acima do usual, foram criadas expetativas no sentido de todas as candidaturas serem apoiadas,  o que está a originar atrasos na sua análise e decisão, porque o Ministério da Agricultura não tem estrutura humana para responder no curto prazo à tal "onda de procura". 
NOTAS: 
a) o PDR 2020 é um programa de apoio aos agricultores muito pesado e burocrático, mas para além disto, ocorreu um fenómeno, repetiu-se a mesma idiossincrasia dos 6 quadros comunitários de apoio anteriores, como não foi dada formação prévia às empresas que elaboram projetos, os pormenores burocráticos próprios do PDR 2020 não foram acautelados e para serem corrigidos está a acarretar um "número extraordinário/astronómico" de actos administrativos, ao nível de pedidos de esclarecimento, audiências prévias e reclamações para a gestora do PDR 2020, porque a formação está a ser dada pelo "processo de tentativa e erro", o PDR levanta um problema, o promotor apresenta a solução, o processo vai-se repetindo ao longo do tempo até se sanarem todos os problemas subsquentes que venham a existir.
b) O PDR 2020/DRAP foi obrigado a integrar novos analistas que não tinham experiência, conhecimento e massa critica para serem eficientes e eficazes no processo (precisam de tempo para aprenderem).
  
2 - O próximo concurso de candidaturas decorrerá de forma mais célere porque há condições para serem ultrapassadas à partida e ao longo do processo, os constrangimentos indicados em 1.

3 - Recomendo que faça o controlo do estado do processo do seu projeto na página do PDR2020 e caso seja necessário que contate a Direção de Serviços dos Projetos pertencente à Direção Regional de Agricultura e Pescas que tutela a região da sua exploração agrícola e a Autoridade de Gestão do PDR 2020.

4 - Tendo em conta a data de submissão da candiatura, parece-me que deverá ter notícias nos próximos tempos.

5 - Há probabilidade de um elevado número de projetos serem aprovados mas não obterem apoios por insuficiente dotação orçamental do aviso ao qual apresentou candidatura. Neste casos estas candidturas transitarão para os 2 avisos seguintes, embora me pareça que o problema subsistirá, pois em cada destes avisos irão concorrer com novas canditaturas que terão valia global da operação (classificação dos projetos) mais elevados, continuando os orçamentos das ajudas a atribuir muito limitados face à procura.      

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Sessão Pública - Limão (03-Dez)


formacao_profissional_agricola
A Frutoeste e a Espaço Visual promovem uma Sessão Pública sobre “A Organização dos Produtores na Fileira do Limão” com o objetivo de esclarecer os produtores de limão e os potenciais novos produtores acerca do estado da arte e o próximo futuro quer na produção, quer na comercialização e exportação.
Programa
Espaço Visual, Gondomar, 2016.12.03
9h30      Receção e boas vindas
José Martino – Espaço Visual
9h45      A produção e a comercialização de limões.
A mais-valia da Organização de Produtores “Frutoeste”
Domingos Santos - Frutoeste
10h15    Debate
11h30    Visita a uma plantação de limoeiros
                Vila do Conde
12h00    Fim do Evento
Inscreva-se em:

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Devo ser empreendedor agrícola não dispondo de capital para investir?

"Boa noite! 
Partindo do principio que não disponho de capital para tal investimento, acha que seria acertado fazer um credito que me possibilitasse desenvolver o projecto com todos os custos a ele associados, a começar pela compra do terreno passando pela construção da própria estufa e aquisição de toda a maquinaria essencial que me permitisse trabalhar e obter produção?"

Comentários:
1 - Deve recorrer ao crédito bancário ou outro tipo se dispuser de 20% de capitais próprios face ao investimento total.

2 - Recomendo que não proceda à compra do terreno rústico por crédito bancário, pois na minha opinião deve tirar partido do arrendamento porque não lhe força a tesouraria sobretudo nos primeiros anos em que há maior probabilidade de ter mais facturas a pagar decorrentes de erros de aprendizagem, sendo mais avisado tirar partido desse crédito, eventualmente se tal for necessário, para apoiar a tesouraria.

3- Deve tirar partido do crédito se dominar minimamente a gestão operacional da cultura e tiver operador comercial credível que lhe valorize as produções, caso contrário, acho contraproducente dedicar-se ao empreendedorismo sem agrícola sob pena de trazer graves problemas financeiros para a sua vida pessoal e familiar.

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O que fazer na minha situação?

"Boa noite senhor José Martino, 

Eu chamo-me ..., sou estudante de Engenharia Agronómica na UTAD. Entrei em Engenharia ... na ..., mas entretanto mudei para Agronómica este ano. Eu desde sempre que tenho um gosto muito grande à terra e agricultura, mas estou um pouco apreensivo em relação ao meu futuro, pois a maior parte dos meus colegas já têm ligações a agricultura, inclusive terrenos e culturas que já vêm de trás, e eu não tenho agricultura na família, nem sequer terrenos... Será que estou no curso certo, ou que terei futuro nesta área, na minha situação? 
Estou a contactá-lo por ser uma referência nesta área, e talvez me tenha algo a dizer.
Fico a aguardar resposta. 
Agradeço desde já a sua disponibilidade."

Comentários:
1 - Como tem vocação para a agricultura, vá em frente, não fique apreensivo, estude afincadamente, estagie todos os anos aproveitando as férias, troque ideias com os seus professores, aproveite todas as oportunidades para falar com empresários agrícolas, frequente acções de formação profissional, crie uma rede de contatos, etc. O seu sucesso vai ser grande porque é capaz de o sonhar e irá trabalhar afincadamente para o conseguir.

2 - Estou certo que terá futuro risonho como engenheiro agrícola se dominar técnicamente os temas agrícolas, fazendo-o através do estudo e complementando-o com a reflexão sobre a realidade do campo e trabalho quer como operador, quer como técnico.

3 - Posso deixar-lhe uma pouco da minha experiência de vida como engenheiro agrónomo: 
- Estudei para saber os conceitos técnicos, dominá-los e saber relacioná-los;
- Tentei ser um especialista na cultura do kiwi, visitando a maioria dos produtores, falando com os técnicos, conhecendo a multiplicidade de variações das condições de plantação (solos, climas, diferentes técnicas de implantação e exploração, etc.), dando assistência técnica de campo a centenas de kiwicultores em Portugal e Espanha;
- Mais tarde abracei o segmento de projetos, gestão de investimentos, consultoria, etc. e o desenvolvimento rural, seja na animação das fileiras por visitas de estudo, workshops, semninários, etc.
- Procurei soluções tecnológicas no estrangeiro, ações de benchamarking, adaptações de tecnologias às agriculturas de Portugal.
- Mais recentemente visitei os principais países produtores de pequenos frutos sobretudo mirtilos com o objetivo de chegar às melhores tecnologias de produção a implementar em Portugal.
- Recentemente fiz um levantamento técnico económico da cultura do pistácio e das melhores tecnologias para otimizar o seu negócio de produção.
- Parto do princípio que há muitas culturas em Portugal que não têm especialistas e cada um de nós técnicos tem a oportunidade de encontrar uma delas a que pode estar ligado e ser incontornável.   

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